quarta-feira, 26 de abril de 2017

Arcebispo condena "aposentadorias nababescas" de "uns poucos"

O arcebispo de Manaus, dom Sérgio Eduardo Castriani, condenou na proposta de reforma da Previdência elaborada pelo governo federal, "a falta de coragem de atacar privilégios que garantem aposentadorias nababescas a uns poucos".
Em artigo publicado na página da CNBB na Internet, assinala: "A impressão que se tem é de que os pobres vão pagar a conta".
Para ele, está se perdendo grande oportunidade de criar mecanismos que possibilitem uma melhor distribuição das riquezas, garantindo vida digna para todos os da terceira idade ou portadores de deficiência.
Concluindo sua avaliação sobre a questão da reforma da previdência, dom Sérgio afirma:
- Outra situação que clama aos céus é ver os privilégios dos que fazem parte do poder e têm direito legal a reajustes e auxilios, quando grande parte do povo caminha para a miséria.
Outros dois temas focalizados pelo arcebispo de Manaus em seu artigo intitulado "Conjuntura Nacional" foram: a Lava Jato e a insegurança.
Sobre a Lava Jato:
- Quem são de fato os criminosos e que crime cometeram? Será que vai todo mundo para a cadeia?
Sobre a Insegurança:
- Tenho acompanhado nas últimas semanas crimes que atingiram pessoas e famílias muito próximas. Tenho a impressão de que estamos nos tornando uma sociedade enraivecida e medrosa, o que é triste e perigoso.
Para Dom Sérgio Eduardo, três caminhos devem ser trilhados pelos católicos "em meio a toda esta confusão" - O da oração, o do jejum e o da esmola.
Em seguida, explicou a motivação de cada um desses caminhos:
- Oração para discernir a vontade de Deus em tudo isto. Jejum para ficar no essencial. Esmola para criar solidariedade e partilha.
Concluindo, lembrou que "O paradigma da quaresma é o êxodo e a caminhada no deserto, onde a fidelidade ao projeto de Deus é posta a prova". 
Por fim, conclamou:
- Mantenhamos a calma e reafirmemos convicções e valores nestes tempos em que parece que todos andam errantes.
Para ler o artigo completo, CLIQUE AQUI.

Eli Morais, comentarista esportivo, morre aos 83 anos

Faleceu na manhã deste dia, 26/04/17 (quarta-feira), o radialista ELI MORAIS DE OLIVEIRA, aos 83 anos. 
Eli era militar aposentado da Marinha do Brasil, Jornalista ativo na crônica esportiva de emissoras de rádios e jornais, atuando como repórter e comentarista esportivo. 
Foi presidente da ACERN (Associação dos Cronistas Esportivos do Rio Grande do Norte) por vários mandatos e por duas vezes foi eleito Diretor Técnico e Diretor de Árbitros da Federação Norte-rio-grandense de Futebol. 
Eli Morais, é pai do diretor do Sintert-RN (Sindicato Radialistas), Ricardo Silva. 
Sem dúvida, uma perda para os familiares e uma lacuna na memória do Radialismo potiguar. 
O velório ocorrerá a partir das 17h de hoje, no Centro de Velório São José, próximo ao Corpo de Bombeiros na Alexandrino de Alencar. 
O sepultamento será às 10 horas, com missa de corpo presente às 9 horas de amanhã (27/04) no Cemitério Parque da Passagem em Extremoz. 


Sethas aproveita a greve dá folga nas Centrais do Cidadão

A SETHAS distribuiu a seguinte nota sobre o funcionamento das Centrais do Cidadão que fecham na sexta-feira e só voltar a funcionar no dia 2. A exceção fica por conta da Central do Via Direta que terá expediente normal no sábado, dia 29.

"Considerando a greve geral amplamente divulgada pela imprensa, marcada para esta sexta-feira (28), aliada à paralisação dos serviços de transporte público e a expectativa de ocorrência de manifestações sociais de grandes proporções, o que pode trazer entraves no atendimento à população e no deslocamento dos servidores, a Secretaria de Estado do Trabalho da Habitação e Assistência Social (Sethas-RN) determinou que não haverá expediente nas unidades das Centrais do Cidadão na referida data. O atendimento será retomado normalmente no próximo dia 2 de maio, exceto na Central do Via Direta, em Natal, que já funcionará no sábado (29)".

Curso para leiloeiro abre inscrições em Natal

O Instituto de Estudos em Gestão Pública (Iegesp) realiza na próxima semana, no Auditório do Hotel Arituba, o Curso Prático de Formação de Pregoeiro com Habilitação voltado para servidores, prestadores de serviços para instituições públicas e profissionais que atuam ou que pretendem atuar na área de leilões.

O curso, que será ministrado entre os dias 2 e 5 de maio, terá como instrutores o advogado Francisco Sousa, secretário de controle interno do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) e inspetor do controle externo e Escola de Contas do Tribunal de Contas do Estado (TCE); o advogado Fábio Sarinho Paiva, atual secretário de Administração de Parnamirim e ex-pregoeiro oficial do TCE; e o advogado Fernando Leitão, pregoeiro oficial e presidente da Comissão Permanente de Licitação (CPL) do TCE.

De acordo com o ministrante Fábio Sarinho Paiva, essa é uma oportunidade para que as novas gestões possam profissionalizar as suas CPLs, mas que essa é uma oportunidade também para todos que trabalham ou que pretendem trabalhar na área com habilitação. As inscrições podem ser realizadas pelo site www.iegesp.com.br. Grupos de inscritos têm desconto. Sendo 25% de desconto para grupos com quatro, 20% para os com três; e 10% para dois. Mais informações (84) 3222-9099.
Texto encaminhado pela Grifo Comunicação.

Artigo de Paulo Afonso Linhares

OS MIL TONS DE MILTON

Paulo Afonso Linhares

Partiu cedo e deixou muito o que fazer, embora tenha feito tanto. Neste 22 de abril de 2017, Mossoró sofre um grande revés na sua cota de humanidade, com a perda de Milton Marques de Medeiros, exemplo raro de cidadão, profissional de múltiplas habilidades, líder maçônico e chefe de família. Médico, professor e vitorioso empresário, Milton, nascido em Upanema, escolheu Mossoró para ser o seu lugar no mundo. E esta cidade não apenas o adotou, mas, dele fez um dos seus mais diletos filhos.
Quase sempre as unanimidades são aceitas com desconfiança. Milton Marques, na sua multifacetada vivência em Mossoró, quebrou essa regra, unanimidade que foi no conceito e na admiração de seus concidadãos. Aliás, ele plantou arduamente um estilo de vida baseado na temperança, no trabalho e na coragem de mudar para melhor o que, à sua volta, merecia ser mudado. Por isso foi que construiu caminhos vários enquanto caminhou por esta terra e deixa marcas indeléveis: o médico bem conceituado, o empreendedor competente e obstinado, o gestor público honesto e dinâmico, de suas passagens como presidente do então Instituto de Previdência Social dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte (IPE) e, mais recentemente, na condição de reitor, por oito anos, da Fundação Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
A generosidade foi decerto sua marca mais visível. Sim, Milton sempre tinha uma palavra amiga de apoio ou um bom conselho, daqueles que somente a sabedoria destilada das experiências de vida permitem emitir. Sua fala era calma, parcimoniosa e revelavam segurança nos conceitos e argumentos que construía com a boa 'argamassa' do conhecimento multifacetado e de remansadas vivências. Tratava a todos indistintamente com respeito e cordialidade; mesmo naqueles momentos em que era injustamente agredido - e o foi algumas vezes, como dolorosas exceções até mesmo para confirmar a regra de sua unanimidade - não perdia a compostura e a serenidade, embora mantendo firmeza.
A despeito de não aparentar, era inquieto, sobretudo, no afã de edificar, de empreender, de buscar novos rumos, de fazer mais e melhor para tantos dos seus concidadãos e para a Cidade que o adotou, Mossoró de Santa Luzia. Neste sentido, seus interesses eram muitos e sua atuação se dava em domínios de variados tons: educador, médico, comunicador, articulista, empresário, graduado maçom e filantropo. A ausência de quadros na desolação provinciana lhe impôs a tarefa do desempenho de múltiplos e complexos papéis sociais. Jamais se esquivou de desempenhá-los com igual entusiasmo, competência e denodo, embora por vezes lhe fossem insuficientes as horas de um só dia para tantos labores e atenções.
Milton Marques de Medeiros viveu o seu tempo. Intensamente. Acrescentei-lhe ao nome o tratamento nobiliárquico de "Dom", assim maiúsculo, algo principesco que, a meu juízo, lhe cabia bem, porquanto era um homem de muitos dons, nos mil tons que teve Milton. Entretanto, sempre que assim o tratava ele ria timidamente, como para expressar que sua humildade não lhe permitia usufruir daquela singela distinção. A exemplo do poeta Milton, seu homônimo, ele sabia quão "Longo e árduo é o caminho que conduz do inferno à luz" (John Milton, 1608-1674, Lost Paradise).
Quando nada indicava que fosse agora, tão cedo, ainda, a sua hora de ir, partiu rumo à luz; saiu de cena num cálido sábado e baixou à terra seu corpo mortal numa tarde de domingo, como se tivesse ele o cuidado de nada ou a ninguém causar mínimo transtorno, pois bem sabia que na segunda-feira, logo em seguida, o mundo caminharia par lui même, como déjà vu. E deixou um monumental vazio no cotidiano de Mossoró, o que pôde ser mensurado pela enorme multidão - jamais igualada em cortejos fúnebres nesta cidade, em qualquer tempo -, que lhe prestou uma última e comovente homenagem. Lega aos familiares, colaboradores, amigos e ao povo de Mossoró, o seu exemplo e muita saudade. Valeu, valeu mesmo Dom Milton. Ave!

Geraldo Melo declara-se decepcionado com a Igreja Católica, a sua Igreja

Em sua página no Facebook, o ex-governador e ex-senador Geraldo Melo posto a seguinte nota:

PROFUNDAMENTE DECEPCIONADO com a minha Igreja, santa, católica, apostólica, romana. Tendo mantido um constrangedor silêncio quando explodiu a ladroeira criminosa que destruiu a Petrobras, derrubou a credibilidade internacional do Brasil, desempregou os brasileiros, para que um grupo enriquecesse enquanto dizia que estava lutando para acabar com a miséria, a Igreja vem agora alinhar-se às forças que criaram a crise atual do Brasil e a que ela protegeu com o seu silêncio. Doi muito ver isso.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Turma do STF anula libertação do goleiro Bruno

Do portal do STF

Por maioria de votos, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão nesta terça-feira (25), julgou inviável o Habeas Corpus (HC) 139612, impetrado pela defesa do goleiro Bruno Fernandes de Souza, e revogou a liminar que havia afastado sua prisão preventiva. A decisão do colegiado determina o restabelecimento da custódia cautelar de Bruno.

Força-tarefa federal fica em Alcaçuz por mais 30 dias

Sumaia Villela – 
Correspondente da Agência Brasil

A força-tarefa de intervenção penitenciária, grupo federal criado para dar apoio a estados que enfrentam crise no sistema prisional, atuará por mais 30 dias na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Os agentes penitenciários que fazem parte da força-tarefa auxiliam as forças estaduais de segurança no sistema carcerário desde o fim de janeiro, depois que uma briga entre facções rivais desencadeou um massacre que terminou com 26 mortos, e mais de 50 fugitivos.

A autorização para permanência no estado foi dada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e foi publicada hoje (25) no Diário Oficial da União. Os 78 agentes que estão no Rio Grande do Norte são do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ligado ao Ministério da Justiça, e vêm do Rio de Janeiro, do Ceará, de São Paulo e do Distrito Federal. A força-tarefa é supervisionada pelo estado e atua em conjunto com os agentes penitenciários estaduais.

A força-tarefa de intervenção penitenciária foi criada pelo governo federal para dar uma resposta à crise que se estabeleceu em sistemas prisionais de diferentes estados por uma série de rebeliões violentas ocorridas no início do ano. Uma delas foi a de Alcaçuz, presídio localizado no município de Nísia Floresta, região metropolitana de Natal.

Membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) que ficavam no presídio Rogério Coutinho Madruga (localizado no terreno de Alcaçuz e chamado localmente de Pavilhão 5) invadiram um pavilhão controlado pelo Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte e deram início a uma briga que terminou com 26 mortes, esquartejamentos, batalhas campais transmitidas ao vivo em rede nacional e um motim que durou 14 dias.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Lula concede entrevista a Anna Ruth amanhã na 94FM

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos denunciados da Operação Lava Jato, será entrevistado amanhã, terça-feira, dia 25, pela jornalista Anna Ruth Dantas, na 94-FM.
Em sua conta no twitter, Anna Ruth revelou que a entrevista será no "Jornal da Cidade", que começa às 7 horas.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Lava Jato relaciona 155 delatores. Só 2 são políticos

Prestes a aumentar - por conta de acordo com suspeitos da OAS - o número de delatores na Operação Lava Jato já chega a 155.
É o que revela reportagem de Fernanda Odilla, do portal BBC Brasil.
Assinala que, dos 155 delatores só dois são políticos: Delcídio Amaral e Pedro Correa.
CLIQUE AQUI para ler a reportagem completa.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Palocci promete contar tudo a Moro ou à pessoa que ele indicar

Um video disponibilizado pelo Movimento Brasil Livre apresenta imagens e audio do que parece ser a audiência promovida hoje em Curitiba pelo Juiz Sérgio Moro para ouvir o ex- ministro Antônio Palocci.
No trecho de pouco mais de um minuto, ele diz para o juiz Sérgio Moro:

"Digo ao senhor. Em tudo o que fiz na minha vida pública não deixei de cometer erros. E sobre essa questão de Caixa 2 não me sinto em condições de falar aqui o que todo mundo tá falando: "Nada existiu... Tudo foi aprovado nos tribunais... Não!  Todo mundo sabe que houve caixa 2 em todas as campanhas. Eu não vou mentir. Então, eu encerro aqui e fico à sua disposição hoje ou em outros momentos. Todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui por sensibilidade da informação, estão à sua disposição no dia que o senhor quiser.... E se o senhor estiver com a agenda muito apertada, a pessoa que o senhor determinar eu, imediatamente, apresento todos esses fatos, com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser, certamente, do interesse da Lava Jato, que realiza uma investigação de importância e acredito que posso dar um caminho que, talvez, vá lhe dá mais um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil".

Mártires serão canonizados em outubro, anuncia o Papa Francisco

Do portal do Vaticano
Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco presidiu, nesta quinta-feira (20/04), o Consistório Ordinário Público realizado na Sala do Consistório, no Vaticano, em que foram definidas as datas de novas canonizações
Os protomártires do Brasil serão canonizados pelo Papa Francisco, em 15 de outubro próximo, na Basílica de São Pedro.
Os futuros santos são: André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes diocesanos, e Mateus Moreira e seus vinte e sete companheiros leigos, que em 1645, no Rio Grande do Norte, derramaram seu sangue por amor a Cristo. 
Conhecidos como mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados no ano 2000
Em 16 de julho de 1645, o Pe. André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis estavam participando da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú – no município de Canguaretama (RN). 
Em 03 de outubro de 1645, três meses depois, houve o massacre de Uruaçú. Padre Ambrósio Francisco Ferro foi torturado e o camponês Mateus Moreira, morto. 
Os invasores calvinistas não admitiam a prática da religião católica.
Numa entrevista concedida a Cristiane Murray, o Arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, fala sobre o exemplo que os protomártires dão hoje para a humanidade. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Vaticano esclarece carta do Papa ao presidente Michel*

Trata-se de uma carta pessoal 
e de caráter privado 
na qual Papa respondeu que seus compromissos 
não lhe permitiam vir ao Brasil.

A sala de imprensa da Santa Sé emitiu nota de esclarecimento, nesta terça-feira (18), sobre a carta do papa Francisco enviada ao presidente Michel Temer. Segundo o comunicado, a recusa do Pontífice para visitar o Brasil na ocasião da solenidade dos 300 anos do encontro da imagem de N.S Aparecida, em outubro deste ano, se deu por ter outros compromissos agendados.

Em outubro do ano passado, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi recebida pelo papa Francisco. Na ocasião, ao falarem sobre o Ano Nacional Mariano, o papa informou que não seria possível a visita papal ao Santuário Nacional de Aparecida durante as comemorações dos 300 anos do encontro da imagem.

Confira o resumo da nota feito pela Rádio Vaticano:

"A Sala de Imprensa da Santa Sé confirma que 'dias atrás o Santo Padre enviou uma carta pessoal ao Presidente do Brasil. A missiva não foi publicada por ter caráter privado', afirma o comunicado.

A direção da Sala de Imprensa vaticana acrescenta 'tratar-se da resposta do Papa a uma carta do Sr. Michel Temer na qual o Chefe de Estado convidava o Pontífice a visitar o Brasil em 2017 por ocasião dos 300 anos de Aparecida. O Papa respondeu infelizmente não poder ir porque outros compromissos não lhe permitiam'.

'Ademais, como o próprio Presidente Temer em sua carta fazia referência a seu compromisso no combate aos problemas sociais do país, o Papa ressalta tal aspecto e encoraja a trabalhar pela promoção dos mais pobres', lê-se no comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé".
* Transcrito do portal da CNBB.


domingo, 16 de abril de 2017

Neymar revela vontade de jogar no Flamengo

Numa entrevista ao Esporte Interativo, Neymar afirmou que tem muita vontade de jogar no Flamengo.
e sonha:
- Maracanã lotado... Libertadores...
Um resumo da entrevista está na edição digital da Veja.
CLIQUE AQUI 
Na entrevista, que teve a participação de Zico, André Henning e Mauro Beting, Neymar foi indagado sobre a Seleção Brasileira e fez questão de enaltecer o trabalho de Tite:
- O Tite passa uma grande confiança para os jogadores. Trata todo mundo igual.  O texto integral da entrevista está no portal do Esporte Interativo. CLIQUE AQUI e acesse.


Artigo de Paulo Afonso Linhares

BRASIL: A CAIXA DE PANDORA

Paulo Afonso Linhares

"Muchos hombres, como los niños, quieren una cosa, pero no sus consequencias" (Muitos homens, como as crianças, querem uma coisa, mas não suas consequências), ensina o filósofo espanhol J. Ortega y Gasset. Foi o que veio à lembrança com o tsunâmi político-institucional que foi a divulgação da lista de Edson Fachin, ministro do Supremo Tribunal Federal e relator dos processos que envolvem a Operação Lava Jato e investigados detentores de foro privilegiado. Enormes desconforto e sobressaltos variados. Uma monumental caixa de Pandora foi aberta e definitivamente põe em xeque um modo de legitimação do poder político que tem como base relações promíscuas entre políticos e empresários cujas empresas prestam serviço aos entes estatais. 
Inegável que a temida lista de Fachin é democrática e de forte pendor republicano, já que abarca praticamente todos os grandes políticos brasileiros - quase três centenas - distribuídos por 13 partidos políticos que, segundo delações de mais de 70 altos executivos da empresa Odebrecht, teriam recebido propinas sob forma de financiamento de campanhas eleitorais ou mesmo para cobertura de gastos pessoais de notáveis da política tupiniquim. O presidente da República, ex-presidentes, senadores, governadores, deputados e prefeitos: todos na vala comum dos comedores de propinas. 
Sem os chiliques de uma horda enorme de idiotas que ficam a guerrear nas redes sociais, a sensação que resta ao cidadão é de vergonha e ausência de esperança no futuro desse grande país governado por políticos liliputianos. Aliás, misturar o interesse público com negócios privados é sempre algo de um risco inominável. O que mais dói é que a tal opinião pública se revolta com revelações como as trazidas pelos delatores da Odebrecht, sem raciocinar que essa é a pratica política das velhas oligarquias desde os primórdios do Estado brasileiro. A novidade aí fica por conta da adesão - verdadeira ou fantasiosa - de alguns membros proeminentes do Partido dos Trabalhadores a essas relações pecaminosas com empresários inescrupulosos que, para conseguir benefícios jurídicos de redução de pena, delatam a até a própria mãe. 
Mesmo sem desejar defender corruptos quaisquer, acho que tem muito caroço nesse angu jurídico-processual. Em primeiro lugar, não é possível ignorar que toda a estrutura política brasileira - nas ditaduras ou nos momentos de democracia -, há muitas décadas, se caracteriza pela formação do conjunto das forças políticas que controlam o aparelho de Estado tendo como base os interesses oligárquicos regionais e locais. 
O financiamento de toda essa atividade política se cristalizou nas mãos de empresas fornecedoras de bens e serviço ao Poder Público, mesmo que usando os ‘disfarces' de processos licitatórios que, em tese, preservariam a igualdade de oportunidades de todos. Balela. Em geral, esses certames apenas servem para ‘legalizar' a rapinagem de recursos públicos. Em suma, os mecanismos do poder político, no Basil, são historicamente 'azeitados' por variadas formas ilícitas de financiamento em favor de partidos políticos, sindicatos, campanhas eleitorais, lideranças políticas individualmente consideradas e seu familiares. As propinas "falam no centro", como dizia antiga gíria.
Claro, nem sempre os recursos financeiros repassados por empresas empreiteiras de serviços públicos traduz ilicitude. Somente agora foi proibida a doação de empresas para partidos políticos e campanhas eleitorais. Assim, o fato de um executivo da Odebrecth dizer que, através do seu “Departamento de Operações Estruturadas”, eufemismos à parte, o departamento das propinas, ‘doou’ tantos e quantos para as campanhas de políticos X ou Y, nada indica que existisse aí uma ilicitude. O ilícito, nesse caso, estaria na especialização da doação: o repasse de um percentual incidente sobre contrato de obra ou a exigência de valor compensatório seria diretamente proporcional, porém, a alguma benesse, privilégio ou vantagem ilícita dado à empresa. A verdade é que, muitos dos políticos agora tidos como larápios ou coisa que o valha, após a divulgação da lista de Fachin, nada mais fizeram que seguir um velho ritual de captar recursos paras campanhas eleitorais junto aos grandes empreiteiros de obras públicas, no que parecia, até então, ser uma conduta incensurável, algo intrínseco ao sistema político.
A origem dos dinheiros ‘doados' nem sempre seria necessariamente ilícita, a exemplo do que fazem crer os noticiosos de mídias diversas, quando mais confundem do que informam. Por isso é que deve haver muita parcimônia na divulgação desses dados; para poder separar o joio do trigo. Afinal, ser citado por um delator premiado não implica culpa imediata: é preciso averiguar se efetivamente ocorreu ilicitude na operação. 
Ora, se uma empresa doou certa importância para a campanha eleitoral de determinado político e este fez os devidos registros previstos na legislação eleitoral, afigura-se absurdo imaginar que o beneficiário sabia necessariamente da origem criminosa desses recursos financeiros. Infelizmente, também, é evidente o uso político desses processos, em sua maioria voltado a impedir uma eleição de Lula para presidente, em 2018. Isto, porém, termina como mero efeito colateral. As 'escavações' expuseram gente demais para serem ignoradas, embora nada supere a explicação do presidente Temer para os 40 milhões que pediu à Odebrecht - 5% de um contrato assinado pela empreiteira com a Petrobras - numa reunião em São Paulo: seria uma captação pela Lei Rouanet para financiar a publicação de um livro de poesias de sua autoria! Insuperável. Pobre Shakespeare!
Uma coisa é certa: depois desse vendaval da Odebrecht, a política brasileira jamais será a mesma, pois o Brasil começa a ingressar numa nova era em que a ética nos costumes políticos substituirá as demonstrações várias de esperteza e maquiavelices que patenteavam as velhas práticas. Nada a causar tanto espanto, a exemplo dos pantins que marcam os noticiários da Rede Globo: o amadurecimento da democracia resgatada após 1985, após dar a lume a Constituição de 1988, atinge outros patamares de realização da cidadania política e, por isto, é relevante saber quem financia quem na política. 
Por fim, foi resposta uma verdade palmar: o chefão Emílio Odebrecht confessou que esse esquema de corrupção existe há trinta anos, ou seja, é anterior à 'era petista' cujo começo é de 2003. A despeito das injustiças e incompreensões que esses processos podem acarretar, o Brasil jamais será o mesmo depois. Quem pegou dinheiro sujo que arque com as consequências, cadeia, inclusive, doa a quem doer. Isso não pode nem deve acabar em pizza. Esperamos, de olhos voltados para o auriverde pendão desta terra que, de tanta vergonha, sequer a brisa do Brasil beija e balança...

Artigo de Públio José

                A MENSAGEM DA CRUZ                   
Públio José – jornalista

       
Todos sabem que Jesus Cristo morreu crucificado. Muitos conhecem particularidades e minúcias da vida que viveu entre nós. Alguns até defendem teses tecendo mil comentários a respeito do fenômeno que foi Cristo. Em todos os momentos, principalmente no período da Semana Santa, a humanidade, quase por inteiro, celebra a sua morte. Encenações teatrais, filmes, reuniões, retiros, conferências – enfim, os eventos mais diversos marcam a paixão, a vida, o ministério e a morte do homem que dividiu o tempo do mundo em dois tempos: antes e depois Dele. Mas, nesse momento de tanto emocionalismo, de tanta comoção, algumas perguntas necessitam ser feitas: o que o sacrifício de Jesus na cruz representa para nós? O conhecimento do gesto de Jesus na cruz traz alguma diferença no nosso dia-a-dia?  A morte de Jesus nos fez pessoas diferentes ou continuamos os mesmos?

          A questão vital é se tomar conhecimento de que nada do que Jesus fez foi gratuito. O menor dos seus gestos teve uma significação especial. E o evento no Monte do Calvário, com sua crucificação, morte e ressurreição, foi o fato mais extraordinário já acontecido até hoje na história do homem. Aliás, Jesus só rivaliza com ele próprio. Pois outro acontecimento que pode se ombrear em magnitude à sua morte e ressurreição é o seu nascimento, único até hoje ocorrido nas condições especiais em que ocorreu. Mas hoje o assunto é a sua morte; do nascimento de Jesus cuidaremos outro dia. O relato sobre como tudo se passou recai na leitura do livro de Lucas, capítulo 23, a partir do versículo 33. Ali, após ser crucificado, Jesus profere uma das sentenças de maior significado prático para as nossas vidas, ao dizer “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

         Nunca, jamais – e em nenhum outro momento da história humana – alguém manteve tamanha lucidez diante de uma realidade de tanto desconforto físico e tanta dor espiritual. Rejeitado, traído, cuspido, execrado, Jesus exalou amor até os minutos finais de sua vida. A humanidade O matava, porém Ele intercedia junto ao Pai em favor dos homens. Este gesto de Cristo deve ser seguido, praticado em todos os momentos de nossa vida. Afinal, se não perdoarmos a quem nos magoa, terminamos por transformar em acontecimento inútil o sacrifício de Jesus na cruz. Esta é, portanto, a primeira mensagem que Jesus nos envia da cruz – daqueles dias até os dias de hoje: o perdoar em qualquer circunstância. Pelo seu gesto, o perdão é uma condicionante fundamental para um viver cristão, para todos aqueles que se dizem seguidores de suas idéias e detentores de seu legado espiritual.

        Passemos agora ao versículo 46, do mesmo capítulo 33 de Lucas. Ainda na cruz, já exalando seus últimos minutos de vida, Jesus faz uma confissão surpreendente – naquelas circunstâncias – de fidelidade incondicional ao Pai, dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. O que é o espírito? A vida, a nossa essência, o nosso eu. Com a sua exclamação, Jesus queria dizer que o seu espírito, a sua essência Ele só entregaria ao Pai – e a mais ninguém. O que isso significa? Comunhão total, absoluta com Deus, apesar do extremo sofrimento que estava enfrentando. Com seu gesto, Jesus nos remete à segunda mensagem da cruz: mantermos a comunhão com Deus em qualquer situação, mesmo nos momentos mais dolorosos. Será que é fácil? Não, não é. Daí a necessidade de não apagarmos da mente o cenário da cruz, local onde Jesus praticou comunhão e fidelidade a Deus em condições extremamente adversas.

        Ao lado de Jesus dois homens também foram crucificados, conforme o mesmo Lucas capítulo 33, versículo 43. Numa delas, um homem ruma para a morte. De repente, de forma surpreendente, se volta para Jesus: “Mestre, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Momento terrível para ele descobrir que Jesus era mestre, um título nobilíssimo naquele tempo, e proprietário de um reino. Noutra cruz, o Filho de Deus, também nas piores condições físicas, se volta para ele: “Filho, ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Estranho momento para chamar um marginal de filho e lhe garantir a salvação, não é verdade? Aí está, então, a terceira mensagem da cruz: ao nos voltarmos para Jesus – seja qual for a circunstância – Ele nos garante a salvação, a morada com Ele no paraíso! Portanto, sem a aceitação e vivência dessas três mensagens, de que serve, para nós, o sacrifício de Jesus? Perdão, comunhão e salvação – a verdadeira essência da cruz. Vamos vivê-la?

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Jurista aplaude trabalho da midia, mas pede cautela na condenação de delatados

Em artigo publicado na edição deste domingo da Tribuna do Norte, o jurista potiguar Ivan Maciel de Andrade enaltece o trabalho da midia na cobertura de Operação Lava Jato:
- Considero correto, irrepreensível o trabalho da mídia televisiva e impressa.
Mas, sugere cautela na condenação dos delatados.
- Em certos casos - reconhece - as evidências são tantas e tão convincentes que parecem neutralizar, num primeiro momento, a presunção de inocência.
E lembra, então, o precedente italiano durante a chamada "Operação Mãos Limpas".
Na Itália, por exemplo, houve delatados que só muito tempo depois foram inocentados. Mas, "trucidados por denúncias de delatores" cometeram suicídio "pelo desespero de não poder mais restaurar a dignidade perdida. Vítimas de um implacável linchamento, de um raivoso massacre". E assinala:
- Basta a existência de um caso - ou de alguns - para justificar uma atitude prudente de cobrança de maiores e de melhores esclarecimentos.
E conclui:
- ... as delações vêm criando - ao arrepio do sistema jurídico-penal de nosso país - uma teratológica e absurda "presunção de culpa".

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Artigo de Renato Riela*

ENTENDA A COMPLICAÇÃO DESTA 
CONFUSA LISTA DA ODEBRECHT

Renato Riela
Jornalista

Deixei baixar a poeira para só agora falar tecnicamente sobre a Lista da Odebrecht. É um assunto que entendo muito, pois já coordenei dezenas de campanhas eleitorais.

Houve erro grosseiro na divulgação. Não sei se foi culpa do Marcelo Odebrecht, do Sérgio Moro ou da Procuradoria Geral.

A divulgação não poderia ter sido feita em bloco, misturando situações diferentes, algumas até já imunes a condenações.

Há pelo menos cinco situações bem definidas, com pesos diferentes, porém jogadas num mesmo pacote público. Maluquice! Erro técnico inexplicável.

DINHEIRO NO EXTERIOR

Cito o primeiro caso, gravíssimo, que deveria ter sido divulgado antes e isolado dos outros. É aquele grupo dos que receberam dinheiro alto em dólares, no exterior, roubado de grandes projetos da Petrobras e de outras áreas públicas.

Eduardo Cunha, o publicitário João Santana e Palocci são exemplos vivos disso. Roubaram, esconderam em bancos estrangeiros, driblaram a Receita do Brasil, etc. Muitos desses já foram presos, terão penas elevadas e perderão muito dinheiro conquistado de forma ilegal, com jeito de bandido.

PROPINA RECEBIDA NO BRASIL

O segundo caso é o daqueles que receberam grandes propinas no Brasil, roubando de projetos estatais e fazendo chantagens. É o caso, por exemplo, do Gim, que tomou dinheiro das empreiteiras para sabotar a CPI da Petrobras. Há muitos outros nessa situação.

CAIXA DOIS EM CAMPANHA

O terceiro caso é aquele que abrange políticos que receberam dinheiro em caixa dois para as suas campanhas políticas. Esta situação se divide em duas:
1. Aqueles que foram ajudados pela Odebrecht, na chamada folha dois, em suas campanhas eleitorais, sem dar nada em troca. Sem as chamadas contrapartidas administrativas. As grandes empresas apoiavam políticos investindo em nomes que poderiam ocupar cargos importantes no futuro. Se perdessem a eleição, o investimento político estaria perdido.
2. Outro caso de folha dois destinada a campanhas eleitorais abrange gente com maior dose de culpa: são aqueles que foram ajudados porque abriram negócios fraudulentos para Odebrecht e outras empresas. Como troca, receberam ajuda eleitoral por fora, sem comprovação oficial.

Nesse caso, houve “contrapartida” em obras ou contratos.
Vale comentar que esses casos de grana em folha dois para campanhas eleitorais podem ficar sem punição. Na verdade, são crimes eleitorais, já prescritos na maioria das situações.

HÁ DOAÇÕES LEGALIZADAS

O quarto caso, representando o quarto grupo de integrantes da Lista da Odebrecht, contempla políticos que quase certamente terão seus nomes enlameados, mas estão cobertos pela lei. Estes receberam dinheiro da Odebrecht de forma considerada legal pela legislação eleitoral. São doações contabilizadas, apresentadas aos tribunais eleitorais e referendadas.

Quem recebeu contribuição eleitoral legal só terá problemas se for provado que a “ajuda” da Odebrecht resultou de propina claramente definida, relacionada com grandes obras.

A maioria vai afirmar que o apoio eleitoral ocorreu “sem contrapartida”. Provando-se isso, não há crime nem suspeita.

CONCLUSÃO

Acho, portanto, que foi grande erro divulgar a lista completa, embolada. Misturaram gente que será inocentada nas investigações com aqueles que merecem penas longas de prisão, bandidos de fato.

Será que a Odebrecht jogou tudo para o ar com o objetivo de confundir o ambiente? Se fez isso, prejudicou muito os futuros inocentados e deu cobertura aos principais culpados.

O caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é o mais grave e imperdoável. Citam apoio à campanha dele de 1994, há 23 anos, impossível de se apurar e completamente impossível de se punir, pois são crimes amplamente prescritos – se tiverem ocorrido.

A denúncia serviu apenas para melar mais o ambiente político e para dar cobertura a ex-presidentes recentes, como Lula e Dilma, que momentaneamente passam a ser citados ao lado de FHC.

Em resumo, vou demorar para entender os objetivos dessa Lista da Odebrecht. Parece uma trapalhada, mas pode ter sido uma trapalhada proposital, para melar todo mundo sem melar ninguém.

Espero que a Lista da Odebrecht não sirva para ampliar a impunidade no Brasil. (RENATO RIELLA)
* Transcrito do Facebook.


Quem promove a desonestidade é a injustiça - alertava Rui Barbosa em 1914

DISCURSO DE RUI BARBOSA
NO SENADO EM 1914

A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.

A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.

A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime, o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade gerais.

Na República os tarados são os tarudos. Na República todos os grupos se alhearam do movimento dos partidos, da ação dos Governos, da prática das instituições. Contentamo-nos, hoje, com as fórmulas e aparência, porque estas mesmo vão se dissipando pouco a pouco, delas quase nada nos restando.

Apenas temos os nomes, apenas temos a reminiscência, apenas temos a fantasmagoria de uma coisa que existiu, de uma coisa que se deseja ver reerguida, mas que, na realidade, se foi inteiramente.

E nessa destruição geral de nossas instituições, a maior de todas as ruínas, Senhores, é a ruína da justiça, colaborada pela ação dos homens públicos, pelo interesse dos nossos partidos, pela influência constante dos nossos Governos. E nesse esboroamento da justiça, a mais grave de todas as ruínas é a falta de penalidade aos criminosos confessos, é a falta de punição quando se aponta um crime que envolve um nome poderoso, apontado, indicado, que todos conhecem ..."

(Rui Barbosa - Discursos Parlamentares - Obras Completas - Vol. XLI - 1914 - TOMO III - pág. 86/87)