segunda-feira, 14 de março de 2011

Artigo de João Faustino

Campanha da Fraternidade: um grito de alerta

João Faustino (Prof. da UFRN)

A Igreja Católica, através dos seus bispos, lança, nesse período de Quaresma, mais uma Campanha da Fraternidade, repetindo o mesmo gesto que, há 50 anos, mobiliza cristãos de todas as regiões brasileiras. Essa iniciativa da Igreja, é bom lembrar, nasceu aqui no Rio Grande do Norte, no ano de 1961, sob forte inspiração do Concílio Vaticano II. Era administrador apostólico da Arquidiocese de Natal dom Eugênio de Araújo Sales. Depois, em 1963, a CNBB universalizou o movimento estendendo-o para todas as dioceses do Brasil.
Neste ano de 2011 a Campanha tem como tema “Fraternidade e a vida no Planeta”. Marcado com cerca de um ano de antecedência, seu lançamento se deu às vésperas de uma das maiores catástrofes que o mundo presenciou, atignindo o Japão e outros países à margem do Oceano Pacífico, isto depois dos deslisamentos do Rio de Janeiro, dos terremotos do Chile, do Haiti e da China, para não falar das enchentes que, todos os dias, destroem vidas, matando pessoas nas diversas regiões do mundo.
Dom Matias, nosso arcebispo, com muita ênfase, nos revela um dado estarrecedor: as catástrofes ambientais aumentam à taxa de 6% ao ano. Esse número é mais do que suficiente para dimensionar a necessidade dessa reflexão sobre o futuro do nosso planeta, até porque os danos causados ao meio ambiente são irrecuperáveis, segundo os cientistas que, diariamente, escrevem sobre os desequilíbrios e as agressões impostas ao nosso planeta pelo próprio ser humano, beneficiário maior das dádivas que a natureza propicia.
As causas desses desequilíbrios todos nós sabemos: Os desmatamentos que destroem as nossas florestas; a multiplicação do número de veículos que usam motores a combustão, sem que sobre eles exista qualquer controle; as indústrias que emitem toneladas de fumaça que, muitas vezes, se confundem com as nuvens da atmosfera; as queimadas que fazem a terra respirar cinzas; enfim, são muitas as causas, todas, sem exceção, provocadas e patrocinadas pelo próprio ser humano.
Quando se fala que cada um tem um papel a cumprir na preservação do que nos resta do planeta terra, se deseja colocar diante de cada governo, de cada grupo empresarial, de cada cidadão, o desafio da preservação da espécie humana e do bem maior que Deus nos dá que é a natureza.
Aliás, o nosso Rio Grande do Norte ainda detém o privilégio de respirar o ar mais puro das Américas; dispõe de reservatórios de água de boa qualidade, seja de subsolo ou de superfície, além de não patrocinar queimadas. Mas, tudo isso encontra-se sob a ameaça da contaminação dos lençóis freáticos pela ausência de saneamento básico, não apenas nas pequenas comunidades rurais, mas até grandes nas cidades; do lixo não reciclado sem coleta adequada; e da multiplicação desenfreada do número de veículos nas ruas e nas estradas.
Durante esse período de Quaresma bispos, padres, diáconos, religiosos, integrantes das pastorais, católicos, cristãos de todas as tendências estarão sendo motivados para um grande debate sobre a existência humana que começa dentro de nós e que se preserva, sobretudo, pela defesa do planeta que nos abriga e que nos oferece a supremacia da vida. Que nenhum de nós se omita.

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