A FGV, quem diria?*
Soube, pela cobertura deste NOVO JORNAL, que a “nuclearização” da administração Micarla de Sousa saiu das mentes iluminadas da Fundação Getúlio Vargas.
Só acreditei porque a revelação saiu da boca do vice-prefeito Paulinho Freire:
- Foi a melhor maneira que a Fundação Getúlio Vargas arranjou (sic) para dinamizar as ações.
Já se vão lá mais de dois anos que essa Fundação Getúlio Vargas está assessorando a Prefeitura de Natal e vou dizer uma coisa com toda sinceridade: Pelo que tem aparecido como obra sua, ela não ta pagando o café.
Primeiro: De onde partiu a necessidade dessa tal “nuclearização”?
Ta lá na boca de Paulinho Freire: “Ela (a prefeita) queria poder ouvir mais o povo e tinha problemas por estar recebendo muitos secretários”.
Ora, o que é que isso indica? O que é que isso significa?
Só uma coisa: O problema básico da Prefeitura de Natal, a causa primeira do emperramento da máquina administrativa que Micarla comanda é o seu inchaço. São 27 secretarias, a maioria delas multiplicada por quatro – porque tem quatro adjuntos.
Não tem prefeita que dê conta. Muito menos que encontre tempo “para ouvir mais o povo” se tiver que despachar com cada secretário.
Para que se tenha uma idéia do que isso representa, basta um número: O Brasil todo tem 40 ministérios. Como Natal não representa 1% do Brasil, salta aos olhos a dimensão do inchaço alcançado pela nossa administração municipal.
E a FGV acha pouco e ainda cria cinco “núcleos” para serem conduzidos por cinco super secretários.
Qualquer iniciante em matéria de administração entenderia que o caminho correto seria exatamente o oposto. Em vez de aumentar o tamanho do monstro, diminuí-lo, promover o seu enxugamento, reduzi-lo.
E que história é essa de dizer que prefeito, governador ou presidente da República tem que despachar todo dia com os seus secretários e ministros? Isso não existe.
Governante que se preza, tem uma linha de ação definida para cada setor e forma uma equipe de auxiliares que seja capaz de funcionar como uma orquestra. Aquele que desafinar tem que sair para não comprometer a atuação dos demais.
Entretanto, o que se vê em Natal é que esse afinamento não existe nem dentro de cada secretaria. Quanto mais no governo como um todo.
O que se vê é adjunto trombando com adjunto; adjunto trombando com secretário; secretário trombando com secretário e até com a prefeita. E agora a FGV põe um personagem novo nesse tromba-tromba: o coordenador de núcleo.
Que Deus nos proteja.
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