Um pacto pela educação
João Faustino (Professor da UFRN)
O noticiário sobre a educação do Rio Grande do Norte não é nada alentador. São muitas as mazelas que tomam conta do nosso sistema educacional, tudo fruto da incompetência e da irresponsabilidade governamental.
Não precisa ser educador para se constatar que, qualquer iniciativa em educação, aqui ou em qualquer parte do mundo, somente se consegue o resultado desejado a médio e a longo prazos. Nada, absolutamente nada, que se inicie hoje apresentará conseqüências positivas no amanhã próximo. O nosso sistema educacional, nesses últimos oito anos, foi gerenciado por nove secretários de Educação. Cada um que assumia, vinha com novas idéias, com novas pessoas, com novo estilo de administrar e, assim, no açodamento inevitável, as nossas escolas caminhavam para o fundo do poço e os nossos alunos amargavam a convivência com o descaso e a inoperância.
É lamentável que não tenha existido um projeto para a educação do Rio Grande do Norte, que lhe proporcionasse continuidade de propósitos, que lhe assegurasse resultados crescentes de eficiência. Um projeto onde a escola fosse alvo de todas as preocupações e que, sendo avaliadas expressassem crescentes melhorias e onde os professores se sentissem motivados como formadores de gerações.
Em outubro último, participei, na condição de representante do Senado Federal, da Assembléia Geral da ONU onde o tema principal foi “ A Educação no Século XXI”. Nessa ocasião, pude observar como o mundo evoluiu nessa área; como os países mais pobres da África, cresceram e melhoraram os seus sistemas educacionais. A cada testemunho, narrando os avanços alcançados, lembrava-me do processo inverso que vitimava o nosso Rio Grande do Norte, descendo, cada vez mais, nos conceitos e nas avaliações realizadas pelo próprio Ministério da Educação.
O nosso futuro encontra-se ameaçado, ameaçado sim, pois, indaga-se, com muita propriedade: O que se pode esperar de um Estado que tem 87% de sua população jovem matriculada nessa escola do faz de conta e nesse sistema educacional sem projetos, sem perspectivas e sem avanços?
Constata-se, de forma lamentável, que o setor público sozinho não tem condições de enfrentar, com o “sucesso desejado”, os desafios da nossa educação. Somente um grande pacto traduzido pela participação do Estado como seu principal mentor; das entidades empresariais; dos sindicatos e associações; das igrejas; das organizações sociais, será capaz de atuar para que, através de um sistema educacional bem gerido, se recupere o tempo perdido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentários críticos sem identificação não serão aceitos.