Na vida particular, ninguém que pretenda construir a própria prosperidade chegará a algum lugar se não se alicerçar sobre uma postura de equilíbrio e bom senso que se resume na seguinte máxima: Jamais gaste mais do que recebe. Ou, como traduz o empresário potiguar Antônio Gentil: “É melhor ir dormir com fome do que acordar devendo”.
Se é assim, na vida particular, imagine na vida pública. É muito mais complicado. Mais gente a precisar; mais gente a querer tirar e, como se não bastasse, ainda tem a tal burocracia – infelizmente, ao que me parece, cada vez mais necessária, apesar do custo quase ilimitado que ainda nos obriga a pagar.
Pois bem: Na vida particular, quem deve só tem uma saída. Ou paga ou se acaba. Juntar dívida é caminhar pra trás. E, como em matéria de dinheiro, não existe milagre – ainda não inventaram uma árvore que dê dinheiro – quem deve, pra pagar só tem uma saída: Deixar de gastar. Mesmo que seja preciso seguir ao pé da letra a lição inquestionável de Antônio Gentil: Dormir com fome.
Se não tiver essa coragem; se não tiver a grandeza de parar de gastar, não tem saída mesmo. O problema só vai se agravar e acaba engolindo também o próprio criador.
É o que está acontecendo com a administração da prefeita Micarla de Sousa. Ela ta botando dívida em cima de dívida, conta em cima de conta, certamente na esperança de que bons tempos virão, mas ou ela acorda já, ou quando acordar amanhã vai ser tarde demais. Os próximos dois anos vão passar como um relâmpago. Muito mais – mas, muito mais mesmo – do que esses dois primeiros que terminam agora no dia 31.
Todo dia ta pipocando uma conta nova. Estou vendo aqui na capa deste NOVO JORNAL desta terça-feira, 14 de dezembro: Dez meses de atraso na conta do processamento do lixo. Dez meses. Se fosse um, já era muito. Mas, dez? Vai pagar quando? Se ela não pôde pagar um mês, que milagre vai fazer pra pagar 10, se não deixar de gastar? Se não tiver coragem de ir dormir com fome?
E olhe que esta não é a única dívida da Prefeitura de Natal. A atual administração vem se notabilizando também pela satisfação de alugar imóveis. Imóveis pra tudo – imóveis pra creche, imóveis pra unidade de saúde, imóveis pra conselho disso, imóveis pra conselho daquilo, imóveis pra casa de passagem, imóveis pra secretaria... enfim, acho fundamental que a Prefeitura elabore, para a devida divulgação, uma lista dos imóveis que tem alugados, informando como se encontra a situação do pagamento de cada aluguel. Os que estão em dia e os que estão atrasados.
Coisas assim, tão básicas e que não funcionam, me levaram a perder a esperança de que Natal seja capaz de sediar a Copa de 2014.
(*) Este o comentário que assino na edição desta quarta-feira do NOVO JORNAL.
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